Desonestidade irracional

“Em 2004, o custo total dos roubos nos Estados Unidos foi de $525 milhões e a média de perda em cada roubo era cerca de $1.300. (…) No entanto, estima-se que anualmente, chegam a mais ou menos $600 bilhões os roubos e as fraudes de empregados no local de trabalho. Isso é muito mais do que todos os criminosos profissionais dos Estados Unidos poderiam roubar em toda a vida.”

O trecho acima foi extraído do livro Previsivelmente Irracional, escrito por Dan Ariely. O autor aborda diferentes aspectos e ocasiões onde o ser humano age irracionalmente, e relata em detalhes suas pesquisas de campo, sempre realizadas com um grande número de pessoas, em muitos casos com estudantes do MIT e de outras universidades onde ele leciona.

Em dois dos últimos capítulos Ariely aborda um fato que passei a observar mais atentamente depois de ler o seu livro: os pequenos roubos irracionais cometidos por pessoas que em geral julgamos honestas.

São pessoas que jamais abririam a sua carteira esquecida em cima da mesa, ou que roubariam 1 centavo da gaveta do departamento financeiro, mesmo que ela estivesse aberta com milhares de reais, com notas pulando para fora. No entanto, sem se dar conta, tomam dinheiro da empresa fraudando banco de horas, desperdiçando recursos materiais da empresa sem necessidade, utilizando telefone da empresa em ligações caras de caráter pessoal e sem autorização, entre diversas outros exemplos que não são difíceis perceber no dia-a-dia.

Se olharmos no âmbito da política, a situação é ainda pior. São senhores formados, pós-graduados, que não seriam capazes de roubar a bolsa daquela senhora de certa idade atravessando a rua com andador, mas que desviam milhões de reais das contas da previdência, fraudam contratos e licitações, e outros cargos políticos e servidores que ganham seu salário sem sequer comparecer ao ambiente de trabalho.

O que diferencia um roubo a mão armada dos pequenos furtos e trapaças?

O dinheiro! Segundo Ariely, o ser humano volta à razão quando há dinheiro em espécie envolvido. Ou seja, ao usar a impressora do trabalho para imprimir 500 folhas do seu trabalho escolar não parece nem de longe ser tão errado quanto abrir a gaveta do chefe e roubar R$50, por mais que o valor subtraído da empresa no final das contas seja o mesmo.

No mundo onde o dinheiro é cada vez menos utilizado, dando lugar aos cartões e operações eletrônicas e tantas outras formas de movimentar riquezas, como iremos controlar a trapaça, uma vez que só o dinheiro em espécie nos traz à razão?

E para quem quiser ver um pouco mais sobre os experimentos de Dan Ariely, encontrei um vídeo que resume bem os capítulos de desonestidade e trapaça que ele cita em seu livro:

Fonte: Ariely, Dan – Previsivelmente Irracional: as forças ocultas que formam as nossas decisões.

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2 comentários

  1. Alzira disse:

    Excelente postagem….
    E para o palestrante…. Nota 10

  2. Diego disse:

    Fantástico!
    Muito interessante esse tema, vou comprar esse livro para ler

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