Somos iguais, sim. E não é papo de pastor.

Há muito tempo venho querendo fazer este post e não teria dia melhor que hoje para fazê-lo senão hoje.

pessoas-montanha

Ontem completei 29 anos e tentarei aproveitar a data para explicar uma teoria que, na minha opinião explica algumas coisas que vemos todos os dias na tv e no nosso dia-a-dia. Estou falando das opiniões e atitudes das pessoas, em especial aquelas mais absurdas ou erradas.

Todos os dias discordamos, brigamos, e julgamos as pessoas que vemos nos noticiários fazendo coisas insanas, estúpidas, antiéticas, e por aí vai. No trabalho, na faculdade, e até mesmo em casa não é diferente.

Acredito que eu ou você poderia fazer exatamente a mesma coisa, ter a mesma opinião sobre qualquer assunto, ter escolhido a mesma profissão, e sermos idênticos em tudo se tivéssemos, em algum momento tido acesso ao mesmo conhecimento, visto as mesmas coisas, saído com as mesmas pessoas, vivido na mesma vizinhança, gostado dos mesmos programas de tv, ou ter experimentado um ou mais desses fatores.

Um exemplo fácil de explicar pode ser a opinião política de cada um. Esse é geralmente o motivo de muitas discussões, e que muitos gostam de evitar mas que em geral bastaria que ambos os lados tivessem lido ou assistido os mesmos fatos que o outro sobre determinado político ou partido para que ambos chegassem na mesma opinião. Não foi suficiente, né. É claro que sabemos que o buraco pode (e geralmente é) muito mais embaixo, e você só precisará cavar mais um pouco (ou discutir mais um pouco) pra entender porque seu amigo tem aquele ponto de vista e porque aquele político foi filho da … ao fazer x ao invés de fazer y.

Algumas vezes na nossa vida existem pequenos momentos e coincidências que mudam para sempre a direção que ela segue. Um filme que fala muito bem sobre essa teoria é o “Efeito borboleta“, onde podemos ver como vidas inteiras podem ser mudadas em questão de segundos.

Há também o filme “Os agentes do destino“, que vai um pouco além. Neste filme, uma espécie de agentes do universo aparecem na vida das pessoas apenas para colocar seus destinos no eixo. Em uma das cenas,  o agente tem a missão de simplesmente esbarrar no café de um homem para que ele tenha que voltar em casa para trocar seu paletó e perder o ônibus, onde ele encontraria uma garota que não deveria conhecer.

olho_borboletaEntendeu o vínculo do efeito borboleta com a opinião e ação das pessoas? As vezes vemos ações bizarras na tv de pessoas que mal conseguimos chamar de ser humano, mas se ao invés de julgamos – e sim, eu também faço isso todos os dias – pararmos pra pensar, é certo de que uma ou mais experiências e valores que aquela pessoa teve, a conduziu a agir daquela forma. E uma ou mais dessas experiências e vivências poderiam fazer eu ou você agir de forma parecida.

Você ficou maluco? Tá dizendo que eu também roubaria assim, como a maioria dos políticos fazem, se fosse um deles?

Brincadeiras a parte, sim. Se pegar apenas um dos políticos corruptos como exemplo, é possível que apenas o fato de estar rodeado de pessoas roubando seja suficiente pra alterar sua conduta nesta direção. Em outros casos isso pode não ser suficiente e teríamos que ir um pouco além pra justificar. Talvez a infância difícil? Um pai ladrão? A ausência de ambos? Ou tudo isso junto tenham sido os principais motivos dele ter agido desta ou daquela maneira.

Mas e o caráter não conta?

Conta sim. Mas o caráter nada mais é do que uma série de experiências e valores que foram passados ao longo da SUA vida e não na daquele político que falamos acima. Talvez você não fosse um político corrupto, mas certamente isso aconteceu por não ter tido a mesmas experiências, convivido com as mesma pessoas, ido aos mesmos lugares, lido os mesmos jornais etc etc..

Pra finalizar, a música da Clarice Falcão é meu último e mais recente exemplo desse pensamento.

Clarice Falcão – Capitão Gancho (ver no youtube)

Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos
Não seria eu
Se não fossem as minhas tias com todos os mimos
Ou se eu menino fosse mais amado
Se não desse errado
Não seria eu
Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Não quero ser chato
Mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim
Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim
Se não fossem os ais
E não fosse a dor
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador
Se não fosse Deus
Bancando o escritor
Se não fosse o Mickey e as terças feiras e os ursos pandas e o andar de cima da
primeira casa em que eu morei e dava pra chegar no morro só pela varanda se
não fosse a fome e essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança se não fosse o
Koni e o Capitão Gancho
Eu não seria eu

Veja, não estou dizendo que devemos aceitar toda corrupção, e não se revoltar com tudo de errado que acontece no nosso dia-a-dia. Mas sim para refletirmos um pouco mais sobre a posição e atitude das pessoas antes de agirmos contra elas.

E também para compartilhar um pouco da alegria de estar com esses 29 anos e lembrar dos pequenos fatos que em poucos minutos mudaram o rumo dos últimos 10, 15, e 29 anos que vivi até agora.

Você lembra dos seus?

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2 comentários

  1. Alzira disse:

    Penso que em 99% das vezes herdamos valores dos quais fomos criados. Com os meus pais aprendi que qualquer roupa cai bem, quando se tem caráter. Essa qualidade que penso ter herdado da educação recebida no lar, serviu de fortalecimento ao meu amor próprio , de forma que jamais fiquei preocupada com a opinião dos outros, na hora de escolher o que vestir rsrs
    Quanto à bondade , essa acho se adquire. A minha está longe de ser perfeita, mas já me senti boa em momentos que precisaram de mim. Sei que posso trabalhar isso melhor, e só o fato de querer, como você em entrelinhas demonstra tb querer, já e como ter percorrido a metade do caminho. ” Bora bora” à luta do viver com honra, alegria e mais amor, afinal … “Ainda que falássemos a língua dos Anjos, sem amor nada seríamos”. Hahahaha….Cometário quase postagem, adorei tuas reflexões. Te amo pra sempre… E sempre mais!

  2. Shu disse:

    Sinceramente, eu não roubaria.

    Não somos apenas frutos do meio e das vivências, podemos interagir e interpretar de maneiras diferentes.

    Tecnicamente estou dizendo que, se alguém viveu as mesmas coisas que eu, isso não quer dizer que ela se tornaria exatamente como eu.

    O caráter, não só conta, como ele é fruto dos acontecimentos do meio, mesclados com nossas escolhas e nossa visão sobre o meio. Entenda como ‘meio’, tudo isso que acontece à nossa volta e gera um impacto direto ou indireto sobre nossa vida.

    Eu, na posição de político, jamais roubaria! Eu detestava aqueles que roubavam em jogos de cartas, ou qualquer outro tipo de jogo, pois pela minha índole, eu sempre gostava de competir justamente, pois qual a graça de um jogo de competição, onde não há competição, mas sim um ‘game shark’, ou um ‘cheat’, ou um ‘favorecimento’ de uma das partes?

    Posso imaginar os motivos que levaram milhares de políticos à se tornarem ladrões, mas nenhum deles justificaria a escolha de estar na posição de roubar.

    Pense comigo: Você, sem comida, sem dinheiro, jogado às ruas por algum motivo ‘estranho’, como inflação e dívidas absurdas. Você teria sua causa, seu motivo para roubar, embora eu, nessa posição preferiria procurar ‘inventar’ algo que chamasse atenção e rendesse dinheiro, em certo momento, quando nada mais desse certo, ainda assim eu pensaria inúmeras vezes antes de roubar (isso se eu cogitasse a possibilidade)… porém, em um cargo político, onde o salário é bem maior que o salário mínimo e que o salário ‘mediano’ da população. Me diga se há algo que justifique a posição de roubo ali, além da índole do sujeito e da falta de vergonha na cara?

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